Adolescentes portugueses são dos que mais usam ecrãs ao fim de semana

Adolescentes portugueses são dos que mais usam ecrãs ao fim de semana

Os adolescentes portugueses estão entre os que, na União Europeia, mais tempo gastam à frente de ecrãs durante o fim de semana. Valor acima das seis horas, segundo um Eurobarómetro divulgado esta quarta-feira.

RTP /
Katie Collins - Reuters

A Comissão Europeia não duvida que existem ligações claras entre "o tempo excessivo gasto em frente às telas, o uso das redes sociais e o bem-estar dos jovens". Por essa razão, e à medida que as questões como a saúde mental e a utilização das redes sociais têm sido mais debatidas, este Eurobarómetro "fornece dados estruturados e comparáveis ​​sobre a prevalência, a intensidade e os contextos da utilização de ecrãs e das redes sociais entre adolescentes dos 13 aos 18 anos em toda a União Europeia".

Em média, os adolescentes com idades compreendidas entre os 13 e os 18 anos admitem passar 4,5 horas por dia na escola e 6,1 horas por dia nos fins de semana.

"Mais de 40 por cento acredita passar tempo demais em frente às telas"
, lê-se no estudo publicado hoje.

E os que começaram a usar redes sociais antes dos 10 anos admitem passar 7,5 horas diárias agarrados aos ecrãs nos fins de semana, "em comparação com 5,7 horas entre aqueles que começaram depois dos 14 anos".

Segundo este Eurobarómetro, os adolescentes portugueses inquiridos, entre 13 e 18 anos, dizem estar cerca de 6,7 horas à frente de telemóveis, `tablets`, computadores, televisões ou consolas durante o fim de semana, o quarto valor mais elevado em toda a União Europeia (UE), semelhante ao registado em França, Espanha, Roménia e Letónia.

A média europeia é de 6,1 horas e o valor de Portugal só é superado na Suécia (7,3 horas), Chéquia (7,0) e Polónia (6,8). O país da UE onde os adolescentes usam menos ecrãs ao fim de semana é Chipre, com 4,3 horas.

Instados a fazer uma avaliação sobre o tempo que os filhos gastam à frente de ecrãs, 40 por cento dos pais portugueses consideram que é "demasiado elevado" - abaixo da média europeia de 44 por cento -, 37 por cento afirmam ser um "tempo adequado" e 16 por cento que é "muito pouco".

Já interrogados se consideram que os ecrãs têm um impacto positivo ou negativo na vida dos adolescentes, 62 por cento dos pais portugueses afirmam ser negativo - a segunda taxa mais elevada em toda a UE, apenas ultrapassada pela Grécia (66 por cento).

Esta avaliação dos pais contrasta com a dos adolescentes portugueses: só 34 por cento consideram que a utilização de ecrãs é nociva, o sexto valor mais elevado no bloco. Outros 34 por cento estimam que a utilização de ecrãs "não é positiva nem negativa", enquanto 31 por cento consideram-na positiva.

No entanto, mais de um em três (41 por cento) admite que, nos últimos 30 dias, se sentiram "cansados ou sobrecarregados", 38 por cento têm "dificuldade em concentrar-se", 36 por cento tiveram dores de cabeça e 33 por cento cansaço nos olhos.

A principal preocupação dos pais portugueses quanto à utilização de ecrãs pelos seus filhos prende-se com a exposição a conteúdos inapropriados ou prejudiciais (79 por cento manifestam-se preocupados com essa possibilidade), seguida da possibilidade de serem contactados por desconhecidos (72 por cento) e do impacto que terá no sono (64 por cento).

Sobre quais acham que são as melhores medidas que podem ser introduzidas para garantir o bem-estar dos seus filhos, a maioria dos pais portugueses (57 por cento) defende limites ou restrições consoante a idade, enquanto 54 por cento pedem uma melhor aplicação das regras atualmente em vigor e 46% mais campanhas de informação destinadas aos jovens.

Essas taxas baixam quando se questionam os adolescentes: 49 por cento são favoráveis a restrições de idade, 47 por cento a uma melhor aplicação das regras e 46 por cento a mais campanhas de informação.

Interrogados especificamente sobre uma medida de proibição das redes sociais como a que tem sido aplicada na Austrália, os adolescentes portugueses estão entre os mais céticos da UE: 41 por cento consideram que seria positivo para o seu bem-estar mental - uma taxa superada noutros 15 Estados-membros -, 38 por cento afirmam que não teria um impacto positivo nem negativo e 20 por cento manifestam-se contra.

A nível da média UE, os adolescentes gastam 4,5 horas durante a semana à frente de ecrãs e 6,1 horas ao fim de semana. Cerca de 14 por cento dos adolescentes relatam estar diariamente mais de 10 horas à frente de ecrãs.

Este Eurobarómetro foi divulgado no dia em que se realiza a última reunião do painel especial sobre a segurança das crianças `online`, criado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sobre medidas que podem vir a ser implementadas, incluindo uma eventual restrição na utilização de redes sociais por menores.

O Eurobarómetro baseia-se em entrevistas feitas entre 30 março e 16 de abril a mais de 26 mil adolescentes e quase 13 mil pais em toda a União Europeia (UE). Em Portugal, foram entrevistados mil adolescentes e 500 pais.

C/Lusa
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